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Niterói, Rio de Janeiro, Brazil
Sou Biólogo e entusiasta na Arte do Bonsai desde 1991. Montei esse blog para compartilhar alguns dos trabalhos que venho desenvolvendo, bem como compartilhar também algumas idéias e assuntos relacionados à arte. Gostaria muito da sua participação. Seja bem vindo!

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quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

SINOLOGIA VOLTADA PARA O BONSAI

Reedição

Fotos: Marçal Lemos

Um dia inigualável é o que temos que descrever ao conhecermos pessoalmente, num sábado de carnaval, um dos maiores sinologistas brasileiros. Riccardo Joppert fala-nos da sua aventura como diplomata, sinologista escritor e colecionador. O mesmo foi autor de diversos trabalhos voltados aos estudos sinológicos e a origem do bonsai. Um deles intitulado “A Pintura Chinesa e a Arte do Bonsai - Possíveis convergências” foi divulgado, na íntegra, aqui no blog. Como amante da cultura oriental, por onde passou, foi colecionando cerâmica, mobiliário chinês e diversos outros objetos. Alguns deles com mais de 4500 anos de idade. Confira!

Perguntas
1-O que levou vc a sinologia e qual o seu enfoque dentro dos estudos sinológicos?
R: O sentimento de missão de salvaguardar e difundir uma civilização, que por seus valores, não se restringe ao espaço geográfico da china, mas espraia-se para o contexto da humanidade.


2-Há quanto tempo vc vem estudando a civilização chinesa?
R: Há mais de 50 anos.


3-O que de novo existe dentro do universo da sinologia?
R: As descobertas arqueológicas vêm-se multiplicando. A compreensão do espírito shen, que inspirou a arte vem-se expandindo.


4-Quando e como começou o seu interesse pela Arte do bonsai?
R: Concomitantemente desconhecer a arte do bonsai seria desconhecer a china e o Japão. O universo reflete-se no microcosmo.


5-Sabemos que existem poucas evidências documentais para o melhor entendimento da origem do Bonsai no mundo, mas que a arte de miniaturização, ou minimalista, teve seu início na China nos seus primórdios, e que eles chamavam-na de Penjing. Nos seus estudos, quais são as evidências materiais mais comprobatórias para o surgimento desta arte?
R: Existem evidências arqueológicas de que no século VII a arte do bonsai estava perfeitamente estabelecida na china, na sua fase madura.


6-Quais são as artes relacionadas que ajudaram a exemplificar o surgimento do Penjing na China e qual delas a seu ver é a que mais corrobora?
R: Cerâmica e Porcelana.


7-Na sua visão, qual seria a influência do Penjing naquela época?
R: A China tendo atingido uma fase de urbanismo, houve necessidade de transferir atmosfera rural para as cidades. Como consequência, foi à recriação do macrocosmo no microcosmo, o mundo em escala reduzida num vaso de planta. Naquela época houve um urbanismo que obrigou os chineses a terem jardins em miniatura, uma vez que eles não podiam ter grandes propriedades.


8-A forma de reproduzir uma paisagem em miniatura na China, o Penjing, impressiona muitas pessoas até hoje e que a mesma é cultuada por uma maioria masculina. O que vc tem a dizer sobre isso?
R: A necessidade interior de compreender a vida.










quarta-feira, 31 de julho de 2013

Curso Básico de Bonsai

Olá!

Administro o Curso Básico de Bonsai há mais de 12 anos. 
As próximas aulas acontecerão nos dias 04, 18 e 19 de outubro de 2014. O investimento é de R$170,00 por aula. São turmas de no máximo cinco alunos. A aula começa ás 9 horas da manhã até às 14 horas aos sábados e domingos das 10 ás 17 horas, com uma pausa para a refeição de uma hora.
O conteúdo programático, como aramar, podar, tipos de substratos, rega, adubação, controle de pragas e doenças, está relacionado às estações do ano. Faz parte também da programação:   A história do bonsai, estilos, tamanhos, ferramentas, modelos de vasos e a forma de exposição do bonsai.
É um Curso onde exploramos muito cada tema, refinando a técnica e o tempo de modelagem com a planta, o bonsai. Como o conteúdo é muito abrangente, estes são ministrados de forma gradual, a cada estação do ano e o aluno aprende mês a mês na prática.
Tendo interesse em participar, por gentileza, solicite a ficha de inscrição por e-mail, informando, quantas aulas você gostaria de fazer e o que você espera obter com o Curso Básico de Bonsai. Após preenchimento, retorne com a mesma, para darmos sequência ao seu processo de inscrição.

Acesse a fan page Cláudio Ratto Bonsai no facebook, curta e marque presença. Uma vez inscrito você fará parte do grupo fechado de discussão, tirará dúvidas e terá acesso à apostila do Curso, dentre outros arquivos relevantes ao estudo da arte do bonsai.

Qualquer dúvida a mais não deixe de entrar em contato.

Tudo de bom,
Cláudio C Ratto 

“Cada trabalho de bonsai é uma conquista de anos de pura dedicação a Arte.”

Venha participar!


sexta-feira, 26 de julho de 2013

Viagem a Atibaia por Rafael Toscano

Rafael Laranjeira Toscano trabalha na área da informática, é escritor, faz taekwondo e também é aluno do Curso Básico de Bonsai há cinco meses. Mesmo com pouco tempo de estudo, tem provado total dedicação á Arte do Bonsai. Prova disso ele criou um blog especialmente para descrever suas experiências com o bonsai.  
http://bonsaicor.wordpress.com/2013/07/04/viagem-atibaia/comment-page-1/#comment-8

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Técnicas para modelagem de um Flamboyant - Parte III


SEMEADURA

Para que consigamos boa taxa de germinação das sementes de Flamboyant é necessário que estas sejam tratadas previamente. Para isso basta raspar com intuito de escarificar a ponta das sementes em superfície áspera, ou colocá-las em água de dois a três dias para que o tegumento (casca) amoleça ou mesmo em água quente a 80º C por 3 a 5 minutos e depois deixar esfriar naturalmente antes de plantá-las em sacos individuais com solo organo-argiloso. Esses procedimentos são realizados somente por ocasião da semeadura.

ESCOLHA DAS MUDAS E TRATAMENTO INICIAL DAS RAÍZES

Quando as mudas estiverem com aproximadamente uns 20 cm de altura retirar dos sacos plásticos tomando cuidado com as raízes. Feito isso retire todas as folhas cortando-as pela haste de sustentação utilizando uma tesoura de poda e logo em seguida desmanche o torrão cuidadosamente até que as raízes estejam totalmente desprovidas de solo com um pedaço de bambu tipo espeto para churrasco. Identifique agora as raízes laterais mais superiores e em maior número. Dê preferências para umas cinco dessas raízes laterais e corte a raiz pivotante, que fica logo abaixo dessas raízes laterais. A raiz que chamo pivotante é a que desce verticalmente logo abaixo do tronco e bem próximo às raízes laterais. Replante a muda em vaso individual de barro ou plástico rígido.

COMPOSIÇÃO DO SUBSTRATO

Uma boa composição para o substrato seria 70% areia de obra + 15% terra preta + 15% barro, porém antes passando as partes separadamente pela peneira de feijão, depois pela peneira de arroz e por fim na peneira de fubá. Utiliza-se apenas o que fica retido nas peneiras de arroz e fubá, misturando posteriormente os componentes para se fazer o substrato. É necessário que se passe nas peneiras, para que separemos os grãos de granulometrias ideal, pois ao fazermos isso, estamos criando um microambiente ideal para o sistema radicular, além de criar interstícios, que são extremamente importantes em todo o processo de modelagem do futuro bonsai, que consequentemente levará a uma modelagem mais fidedigna a uma base de árvore em miniatura. Esta composição pode ser usada em todas as fazes da planta até chegar a ser um bonsai. O que fica retido na peneira de feijão pode servir de dreno no fundo do vaso. A terra preta pode ser substituída pelo solo de compostagem e a barro pelo saibro.

REPLANTIO

O replantio é feito durante a primavera. Dê preferência para o vaso de barro ou vaso plástico rígido baixo e de boca larga, colocando uma tela plástica ou uma tela metálica no dreno caso este seja grande. Coloque agora o substrato pela metade do vaso, depois centralize a muda posicionando as raízes de forma bem radial ao vaso. Agora coloque mais substrato recobrindo as raízes e usando novamente o espeto de churrasco acomode o solo cuidadosamente. Fazendo uso de um fitilho fixe a muda no vaso. Geralmente é passado o fitilho ao redor do tronco em forma de cruz amarrando este na boca do vaso quando este tem uma borda, ou passando em cruz no fundo do mesmo como se fosse fazer um embrulho. Isso é importante para que o vento assim como outras coisas não possa vir a derrubar a muda. Retire o fitilho depois que a muda estiver bem enraizada.

REGA E ADUBAÇÃO

A composição acima descrita para o substrato facilita bastante o manejo com a planta, mas sabemos, de antemão, que cada região tem suas peculiaridades com relação ao clima e ao local onde se encontram as mudas. Isso significa em mudanças nas quantidades de regas a serem feitas e também o modo de como são realizadas as mesmas. No que se refere às quantidades das regas, mesmo que você repita esta operação de duas a três vezes ao dia, o importante é manter o solo sempre úmido. Já quanto ao modo ou qualidade das regas, dê preferência para regadores tipo chuveiro, ou mesmo ao utilizar mangueiras d’água propicie uma chuva homogênea sem que se remova o solo do vaso. Esse último é conseguido, por exemplo, pressionando um dos dedos da mão de encontro à ponta desta mangueira.

Quanto à adubação esta é necessária, uma vez que a planta está limitada a um vaso, onde existe pouca oferta de nutrientes. Também com o intuito de prolongar a permanência desta no mesmo vaso durante o processo de modelagem inicial. Ler Técnicas para Modelagem de um Flamboyant I e II. A periodicidade da adubação é ditada mais pela planta, uma vez que é observado o consumo integral do adubo na superfície do substrato pelo mantenedor. Pensando assim, utilize apenas adubos orgânicos sólidos de liberação lenta por serem mais naturais. Já os adubos químicos sólidos dissolvem mais rapidamente com as sucessivas regas, trazendo resultados artificiais que irão confundir o observador (mantenedor) quanto às dosagens a serem administradas regularmente e, pior ainda, podendo até vir a matar o exemplar em questão.

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Apostila do Curso Básico de Bonsai























  

INFORMAÇÕES
SOBRE O
CURSO BÁSICO DE BONSAI

Os interessados no curso podem optar pelas aulas mensais, que acontecem todo o primeiro sábado do mês, por um período de um ano a contar da data de sua inscrição, ou mesmo uma única aula na data a sua escolha, que tem como objetivo passar informações básicas necessárias à Arte do Bonsai.
As aulas mensais têm como objetivo cobrir todas as estações do ano, fazendo com que assim o aluno assimile melhor o manejo correto com a sua planta, com o seu bonsai.
O custo das aulas é por dia e o material utilizado durante os trabalhos práticos como: solo, vaso, planta e arame são acrescidos ao valor das aulas. As ferramentas necessárias para os trabalhos de modelagem estarão à disposição do aluno. 
            Para maiores informações favor informar o endereço de e-mail. Ao fazer a inscrição o interessado deverá informar o nome completo; telefones para contato; quantas aulas têm interesse em fazer e também informar o que espera com o curso de bonsai.

Atenciosamente,

Cláudio C. Ratto

terça-feira, 14 de julho de 2009

Técnicas para modelagem de um Flamboyant - Parte II

INCISÕES
As incisões ou riscos na base da planta são realizados, para se conseguir imitar com fidelidade as raízes tabulares (projeções basais) que ocorrem em alguns casos nos exemplares em tamanho natural de um flamboyant. Essas são realizadas durante a fase ativa e respeitando o sentido das raízes laterais do exemplar em questão. São escolhidas pelo menos umas cinco raízes laterais para se reproduzir esse sistema radicular, ou tecnicamente falando o “nebari” da planta. Porém antes de fazer tem que se retirar a raiz primária, chamada também de “raiz pivotante”, e outras que estão indo para baixo. As incisões têm que estar alinhadas com as raízes e são realizadas longitudinalmente. Esse procedimento não irá estimular o surgimento de novas raízes e sim irá estimular a cicatrização no local. Para tanto, deixe a área riscada acima do solo, já as raízes, podem ficar enterradas até que consigamos obter as projeções desejadas. Quanto ao comprimento destas incisões é de acordo com o gosto de cada um.
Não é necessário fazer uso de qualquer tipo de cicatrizante, apenas faça esta intervenção salvo a planta estar em bom estado de saúde. É importante também esperar fechar, cicatrizar o corte, para repetir este procedimento. Até que isso aconteça, observa-se que os cortes apresentam uma coloração diferenciada do tronco. Quando a área estiver com a coloração homogênea refaça as incisões nos mesmos locais, respeitando sempre a fase ativa da planta. Melhor deixar ele praticamente fechar a cicatriz, para poder ter tecido vivo para cortar. Utilize um bisturi ou mesmo um estilete limpos para fazer as incisões. Depois que houver a cicatrização, obviamente não aparecerá o corte que se fez e só depois disso que é refeito este procedimento. Ao tomar estas precauções notamos que formará uma projeção na parte basal do tronco, então teremos que repetir essas incisões até que fiquem bem proeminentes e tão similares como as raízes tabulares de um exemplar em tamanho natural. As incisões são realizadas uma vez por ano, respeitando cada ciclo anual da planta. Escolha os exemplares que estão com pelo menos uns 2 cm de diâmetro ou os que já estão com casca no tronco.

Pode-se fazer este tipo de trabalho quando a planta sair do estágio de letargia e em plena atividade, sempre apresentando boa saúde. Porém ainda não é feito nas raízes. Estas chegam bem próximas e são mantidas neste momento recobertas com solo. Quando a planta estiver mais desenvolta quanto às projeções se dá início as incisões nas raízes. O motivo seria de elas estarem gerando tecidos novos que iriam recobrir a ferida anterior e ao contato com o solo, ficariam vulneráveis a contaminação. A cicatrização faz com que o caule fique mais grosso na seção onde foram realizadas as intervenções, ao mesmo tempo as raízes, que estão enterradas, vão engrossando também. Para imitar o nebari de um Flamboyant, é necessário fazer incisões sucessivas nas áreas pré-determinadas, conforme anteriormente descrito, sempre respeitando o sentido das raízes laterais. Salvo exemplares não muito pequenos não existem restrições quanto às incisões serem profundas.
Ao se fazer a próxima troca de solo no final do inverno, início da primavera e vendo que já existem calosidades na base, que são as projeções basais descritas, pode-se reduzir bem o volume das raízes. Agindo assim, haverá uma maior redução das folhas. Chegando o outono, retire todas as folhas deixando apenas as hastes que sustentam os pecíolos. Com isso e controlando as regas, mais compactação iremos conseguir com relação à folhagem. As incisões têm que ser realizadas quando a planta estiver em plena atividade, que compreende os meses mais quentes do ano. No inverno não é conveniente tomar deste procedimento, pois a planta está com o seu metabolismo baixo.

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Técnicas para modelagem de um Flamboyant - Parte I: Tração do galho

Nome comum: Flamboyant
Nome científico: Delonix regia
Família: Fabaceae Caesalpinioideae, Caesalpineae
Origem: Madagascar
Etimologia: Delonix, do grego delos, evidente, notável e ônus, uma, referindo-se as pétalas notavelmente unguiculados. Regia do latim regium-a-um, real, pela sua grandiosidade quando está em flor.
Floração: setembro/dezembro.
Árvore de flores exuberantes com tonalidade avermelhada, de copa frondosa e espalhada que proporciona boa sombra. Suas raízes tabulares (formato de tábua) crescem junto à base do tronco, conferindo um aspecto notável à espécie. É muito utilizada em amplas áreas, como praças e jardins.
Descrição: Árvore caducifólia de 6-15 m de altura, com a copa em forma de sombreiro e o tronco mostrando-se sinuoso ou reto e pouco áspero. Folhas bipinadas de 20 - 40 cm de comprimento, com 10-15 pares de pinas, cada uma tem de 12-20 pares de folíolos oblongos, de ápice e base arredondada, de cor verde claro a verde escuro. Flores vermelhas / alaranjadas aparecem quando a árvore carece de folhas e estas se dispõem lateralmente nos ramos. Cada flor mede 10-12 cm de diâmetro e tem um cálice com cinco sépalas hirsutas, a corola com cinco pétalas desiguais e um androceu com 10 estames largos, delgados, de cor vermelha. Os frutos são muito coriáceos, de 40-50 cm de comprimento, plano e retorcidos de cor castanha quando maduro. Estes permanecem presos a árvore durante todo o ano.
INTRODUÇÃO
O texto abaixo onde se descreve técnicas, foi com intuito de elucidar algumas observações com relação à modelagem da espécie Delonix regia, pois sempre ouvia dizer que um flamboyant não era uma das espécies mais indicadas para se trabalhar e era por isso que não víamos exemplares como bonsai. Muitos diziam que era pelo motivo de ter folhas e flores grandes, galhos que secavam do nada e um lenho muito duro, difícil de modelar com o arame. Via-me por conta disso intrigado, porque para mim seria uma das espécies que gostaria de ter como bonsai desde o início. Também não existiam imagens nem tão pouco técnicas relacionadas, que iriam me orientar a fazer de um flamboyant bonsai.
Foi a partir de muita observação e paciência que se chegou até aqui no momento. Ao se aplicar técnicas como a tração em conjunto com as incisões na base para a espécie consegue-se resultados bem interessantes, fazendo com que os exemplares se mostrem mais fidedignos.
A abordagem relacionada à técnica de tração irá mostrar como de fato não podemos desistir logo aos primeiros obstáculos e sim seguirmos em frente. Sendo perseverante, bom observador e principalmente colocando a mão na massa é que conseguimos aprender algo de novo. Todavia sabemos que qualquer tipo de concepção artística está sempre em evolução, trazendo com isso outros acontecimentos. Principalmente se levarmos em consideração de estarmos modelando um ser vivo e a forma individual de interpretação, todas essas intrínsecas teias de conceitos contida na arte do bonsai a torna ainda mais diversa. Sendo assim, qualquer tipo de crítica e sugestão, que por ventura venha a contribuir para evolução deste trabalho inicial de modelagem com a espécie será bem vinda.

TÉCNICA DA TRAÇÃO DO GALHO
A técnica da tração empregada no Flamboyant foi quase uma conseqüência, devido às suas características. Diversos exemplares que vemos plantados em praças e avenidas pelo Brasil apresentam em sua forma original galhos pendidos, dando a copa da árvore uma forma de sombreiro. Outra característica seria um lenho quebradiço de baixa durabilidade às intempéries naturais e também a morte espontânea de alguns galhos. Estes secam naturalmente e caem cedendo o lugar a um novo que irá a busca de um lugar ao sol. Isso acontece tanto em exemplares plantados no chão quanto nos bonsai, pois é da natureza da espécie.
Foi a partir dessas observações dos exemplares em tamanho natural, que a técnica da tração foi concebida, pois ao se tentar reproduzir inicialmente o aspecto original, os galhos eram aramados por completo. Procedimento este que deixava por sua vez marcas profundas nos mesmos e obstruíam o aparecimento das novas gemas (brotações), quando eram posicionamos para baixo. Porém deixando a margem do galho apontado para baixo, como se fosse uma bengala, fez com que novos brotos surgissem mais para o interior e no dorso/lateral deste galho. Conforme os brotos fossem se consolidando, a margem do galho secava logo em seguida.
                                                foto Nêmora Hoff
Esse fato é devido ao hormônio de crescimento da planta, que se localiza nas áreas onde há incidência da luz solar, ou seja, o modo que a auxina atua nesta espécie. A auxina nada mais é do que o hormônio vegetal básico encontrado em diversas espécies de plantas e este, assim como outros hormônios, são responsáveis pelo crescimento dos vegetais. As margens da planta mais exposta ao sol ficam repletas desse hormônio e assim as novas brotações vão surgindo e a planta cresce.
A partir dessas novas observações concluísse que a retirada do arame de boa parte do galho, fazendo somente uma tração, é que se obtém um melhor modo para modelagem da parte aérea de um flamboyant. Também é a partir das trações sucessivas, que se da seqüência ao processo de multiplicação, tornando os galhos bem dicotômicos (=dicotomia), consequentemente a copa da árvore fica com um arranjo de galhos mais denso. Pode-se enrolar o arame na extremidade deste galho para dar mais pega, prendendo a outra extremidade na borda do vaso, por exemplo. Isso irá ajudar o surgimento de novos brotos, futuros galhos, mais para o interior e no dorso desse galho. Depois que estes se consolidarem é podado as extremidades dos galhos primordiais até onde esteja seco, ou mesmo pode-se podar próximo a esses novos galhos. Esta técnica, descoberta recentemente, se torna a mais apropriada para a espécie. Aplicando-a sucessivamente a compactação da copa, irá aparecer e os cortes, que foram realizados anteriormente fecharão com mais facilidade.
Durante o processo de modelagem, quanto mais estimulamos uma nova brotação para que surjam mais galhos ficamos sem a floração. Porém este procedimento se torna a melhor maneira para se conseguir, em curto espaço de tempo, um exemplar em escala compatível com bonsai, sem cicatrizes e também fazendo uma comparação com uma poda drástica, a técnica da tração se mostra menos agressiva à planta, além de não deixar cicatrizes. Esta só é empregada depois que os galhos estão consolidados. Provavelmente alguns desses galhos novos irão sucumbir também, pois é assim a natureza dessa espécie. Esse tipo de modelagem é realizada no inverno, pois os galhos estão mais maleáveis e a folhagem menos densa. Outra opção seria quando eles estivessem com a coloração mais amarronzada, mas nunca enrolando o arame nesses galhos por completo, para não prejudicar as novas brotações e, principalmente, para não criar feridas e em alguns casos cicatrizes muito feias, difíceis de serem corrigidas.
Outra técnica conhecida no bonsai seria de se retirar a gema apical, para estimular as novas brotações. Porém como foi descrito anteriormente, posicionando os galhos para baixo, para dar a forma de um sombreiro, a espécie como resposta “aborta” a seção marginal deste galho, sendo então desnecessária tal prática. Já a tração estimula o crescimento de novos brotos no dorso/lateral do galho tracionado e em maior quantidade.
Outro fato interessante observado é quanto à técnica da desfolha, que tem como o principal objetivo a redução da folhagem e criar um arranjo dicotômico ainda mais refinado. Ao se retirar a folha por completo, junto com a haste, o que chamamos de “pinçagem”, observa-se que os galhos pinçados secam. Acontecendo isso, é notório que não existirá emissão de novas gemas, fazendo com que o principal objetivo não seja alcançado. Para contornar este problema, o ato de podar simplesmente as folhas no outono deixando as hastes e controlando as regas trazem melhores resultados.